quinta-feira, 26 de março de 2009

Florzinha com 15 meses

Adoro:
- Rebolar em cima da cama dos meus pais: Agora com 15 meses já sei subir sozinha para cima da cama dos meus pais e adoro rebolar-me no edredão!
Esfregar-se, rebolar-me, dar pulos, bater nas grades, esfregar as pernas pelo edredão e adoro deitar-me de barriga para cima no centro da cama a olhar para o candeeiro ou agarrada ao meu biberão muito relaxada a beber chá.
- Abrir a torneira do bidé, meter as mãos na água e chapinhar! Fico furiosa e só de rastos é que me tiram do pé do bidé! Francamente que não percebo porque é que não me deixam continuar a molhar-me toda! É tão divertido meter as mãos debaixo da torneira e chapinhar tudo em volta J Assim que apanho a porta da casa de banho aberta lá vou eu numa corrida e com um sorriso de “gremelin” atacar o bidé!!...ou atirar a chucha para a sanita :-)
- Beijos no papinho: Quando me dizem “Dá cá o papinho” eu levanto o pescoço para me darem beijinhos no papinho. Fico toda derretida!
- Jogar ao cú cú e andar a correr pela casa a jogar ao agarra com a mamã e o papá. Empurro as pernas dos meus pais para eles correrem e eu vou atrás feita doida, a rir a a fazer velhinhas!
- Chá: Quem é que me tira o biberão do chá da mão???
- Tomar banho: que bom que é chapinhar por todo o lado, pôr-me de pé, beber a água do banho e brincar com a escova de lavar os dentes enquanto a minha mãe me grita para eu me sentar para ela me lavar! A mamã fica mesmo zangada!
- Dizer Dá-Dá: de manhã quando acordo o papá mete-me na cama ao pé dele e a mamã vai lavar-se, arranjar-se e tomar o pequeno-almoço. Eu fico a amassar o papá e a dar-lhe cabo da cabeça! Ele coitado nem abre os olhos mas segura-me com imensa força pois tem medo que eu caia da cama. Quando está quase despachada a mamã começa a dizer DÁ DÁ da casa de banho e eu respondo-lhe da mesma forma. Fico muito contente pois isto significa que ela está quase pronta para me vir buscar à cama e me encher de mimos.
- Quando a mamã me vem buscar ao infantário: A Carina ou a Mónica dizem-me “Rafa, está aqui a mamã” e eu largo tudo imediatamente! Levanto os braços e vou a correr ter com a mamã que me agarra ao colo com aquele doce sorriso e me chama “bichito, coisa querida, florzinha, dá-dá” enquanto me dá muitooooooosssss beijinhos. E agora com 15 meses comecei a ter consciência do meu vocabulário. Comecei a dizer Mamã com sentido, já chamo por ela muitas vezes! E ela fica tão babada!
- Quando o papá chega a casa: já não tenho medo de ouvir a chave na fechadura! Agora percebo que aquela hora é o papá que está a chegar a casa! Digo logo “papá” e vou a correr à porta ter com ele! Faço-lhe um sorriso maroto e a seguir fujo histérica de alegria pois adoro que ele venha a correr atrás de mim.
- Cães: São a minha perdição (para além da mamã!). Quando vejo um cão fico histérica, dou pulos, gritinhos, corro atrás deles e só penso em tocar-lhes! “me me” é o cão!
- Pombos: Estes animais também dão com a minha cabeça em doida! Fico igualmente histérica quando vejo pombos ou passarinhos! Mas também fico zangada porque não os consigo apanhar. Empurro a mamã para ela me ir buscar um passarinho mas ela diz-me que não consegue. Eles voam! Eu levanto o braço e digo “bffffff”.
- Beijos, abraços, mimos e colo: Estou a crescer mas continuo a gostar MUITO de dar e receber carinhos! Posso estar a brincar mas de repente lá vou eu dar um beijinho na boca da minha mãe, ou agarrar-me às pernas dela e dar-lhe uns beijinhos nas pernas…por vezes também aproveito e dou-lhe uma dentada e ela diz-me logo “AÚ, não se morde à mamã”!...e eu desato a rir!
- Quando os meus avós de Portalegre me vêm visitar: Já os conheço perfeitamente, fico tão contente! Farto-me de rir! Gosto muito da minha avó mas tenho um fraquinho pelo meu avô! Ninguém percebe porque!
- Os comandos da televisão e os telemóveis: Mas o papá e a mamã são uns chatos e eu raramente tenho estas coisas à mão de semear! Assim que vejo a porta da sala aberta lá vou eu ter com os comandos da televisão e salto para cima dos sofás. Mas num instante me estragam a festa L
- Trepar para cima das cadeiras, sofás…
- Lavar os dentes: a mamã e o papá compraram-me uma escova de dentes e uma pasta própria para os meus dentinhos. A minha mãe começou a lavar-me os dentes depois do jantar e eu agora já não passo sem aquilo!
- Puxar os cabelos da mamã e do papá: eles ficam tão zangados mas eu divirto-me imenso e até dou gritinhos de alegria.
- Meter um balde na cabeça, um fio ao pescoço e andar pela casa a desfilar.
- Olhar para as luzes! Aliás, já sei dizer “Luz” e aponto logo para os candeeiros.


Detesto:
- Ficar sozinha: É das coisas que me leva às lágrimas e aos gritos em escassos segundos. Fico desesperada, não consigo parar de chorar…e se perco a mamã de vista é terrível! Fico doida de tristeza.
A Mamã quando está comigo não faz mais nada, é muito querida e dedica-se a mim exclusivamente…por isso não sei e não consigo estar ou brincar sozinha.
- Que a mamã se ponha a pendurar roupa ou a fazer alguma coisa que não seja estar comigo. Fico furiosa, empurro-lhe as pernas, meto-me entre a parede e as pernas dela, levanto os meus braços e fico desesperada à espera que ela largue tudo e me dê colo e atenção.
- Que me tirem as coisas das mãos e da boca, que me digam que não posso mexer onde bem me apetece, que não posso arrastar as cadeiras ou subir para cima delas.
- Que me coloquem no fraldário e me vistam e dispam e me mudem a fralda….detesto este ritual.
- Mas pior ainda é a maca da Pediatra! Não consigo parar de chorar cada vez que me deitam em cima daquela maldita maca e me começam a despir e a examinar. Fico passada! Na última consulta (no dia 20 de Abril) entre gritos e choro disse um grande “Já está” em jeito de desabafo assim que percebi que a médica me ia largar.
- Que me amarrem na cadeira. Detesto estar presa
- Que o papá me tire as coisas das mãos.
- Que me tentem fechar os fechos ou os botões das camisolas perto do papinho! Tenho medo que me trinquem o papo!...e também não gosto que me fecham botões na parte de trás das camisolas porque me prendem os cabelos. Memmm, faço logo em jeito de reclamação. A mamã chama-me logo “piegas e mariquinhas”.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Considerações sobre o parto e a gravidez

Eu sou uma pessoa que pesquiso sobre tudo e mais alguma coisas. Sou uma eterna insatisfeita pois procuro saber sempre mais e mais. Sou o tipo de pessoa que os médicos querem ver a milhas porque pergunto tudo e mais alguma coisa...e como raramente fico satisfeita com as respostas vou à net, vou às revistas da especialidade, falo com outras pessoas, peço segundas opiniões. E no que respeita à saúde sou sempre muito céptica pois sei que não há verdades absolutas e só quem passa por certas situações é que sabe...

Depois da minha primeira gravidez deixei de acreditar em muita coisa. Fiz TUDO, TUDO para que a gravidez corresse bem. Sabem o que é estar em repouso absoluto dias, semanas, meses??...ter que fazer ecografias semanais e haver sempre mais algo para me preocupar?... ficar com o corpo cheio de dores por estar tanto tempo deitada??...ter que deixar o meu emprego, a minha vida social e só sair de casa para ir à obstetra, ou para fazer ecografias ou para ir às urgências porque surgia mais um susto.

Aproveitei essas horas, esses dias e meses intermináveis para ler, pesquisar... e no fim tudo acabou. Aprendi muito mas acabei por colocar muita coisa em causa. Não vivi o chamado "estado de graça" mas sim um verdadeiro "estado de desgraça".

A minha obstetra foi e é uma pessoa da minha inteira confiança. Sempre respeitou os meus desejos, as minhas vontades e sempre foi muito frontal e sincera comigo. Tem largos anos de experiência e nunca me escondeu nada, mesmo quando as coisas que tinha para me dizer eram absolutamente negras e me deixavam de lágrimas nos olhos. Agradeço-lhe por tudo. Foi ela também que me ajudou no pós-parto. Deu-me forças e coragem para engravidar novamente pois o "euromilhões do azar não sai duas vezes à mesma pessoa". Ela é absolutamente a favor do parto natural e só faz cesarianas em último caso. Aliás, ela também me incentivou a ter um segundo parto natural pois como já tinha parido anteriormente tudo seria mais fácil. Eu é que por vezes pensava duas vezes pois sabia que a minha bebé era grande e gorducha e eu olhava para o espelho e via uma mulher magra, estreita com uma "bola de futebol" muito redonda e grande!!!! Mas o meu medo das cesarianas era tão grande que rapidamente deixava de hesitar apesar da obstetra me alertar para as possíveis dificuldades de um parto normal dado as medidas da minha bebé. Ela sempre foi muito objectiva e sempre me disse todos os prós e contras da cesariana ou do parto normal. Aliás, o meu marido queria que eu fizesse cesariana visto o primeiro parto ter sido tão doloroso mesmo com uns bebés tão pequenos. Como seria este parto com uma bebé grande e gorducha dentro de mim??!!!! A decisão final foi minha.

Em relação à epidural há quem diga que atrasa o trabalho de parto. DISCORDO.
No meu primeiro parto, andei de um lado para o outro, fiz as respirações (fiz yoga durante muito tempo e sei bem como me acalmar e relaxar!!)...a minha obstetra até me disse para eu ir pelas escadas em vez de elevador...mas a verdade é que as dores chegaram a um ponto insuportável. Em ambos os partos senti o tal cinto de dores. Horriveis, parece que me estavam a espetar facas na barriga e nos rins...não tinha necessidade de passar por esta tortura depois de já ter sofrido tanto! Já nem conseguia estar de pé! Pedi epidural e tive que me deitar até porque eu estava consciente do pesadelo que ainda me esperava. Dois nados mortos.

Na segunda gravidez e no segundo parto já não andei a passear. Fiquei tranquila ligada ao CTG enquanto o meu marido falava e brincava comigo. As contracções foram apertando ao longo do dia e só quando não aguentava é que pedi a milagrosa epidural. Mas por azar a gorducha estava de barriga para cima (a olhar para a lua como se costuma dizer) e não conseguia sair.

Detesto ler as opiniões das fanáticas fundamentalistas defensoras do parto natural a todo o custo, sem epidural....essas mulheres acham que somos todas iguais??.... se há mulheres que abrem as pernas e já está há outras que levam horas e horas em trabalho de parto e nada!
A gravidez é um estado recheado de muitos sentimentos e por detrás de certas decisões ou acções médicas há geralmente uma longa história. Isso foi uma das coisas que eu aprendi! Por vezes era a primeira a criticar isto ou aquilo mas agora já não o faço pois penso sempre que muitas mulheres por detrás de um grande sorriso já sofreram muito e há sempre uma justificação para cada situação.

Aliás, depois de ter perdido os gémeos muitas pessoas vieram ter comigo. Muitas não sabiam o que me dizer, muitas perguntavam-me se os meus meninos estavam bons pois não sabiam o que tinha acontecido, e outras para me confortar (se é que isso é possível) acabavam por me contar histórias muito pessoais. Coisas que eu nem fazia ideia! Fiquei a saber que algumas das mulheres da empresa onde trabalho já viveram gravidezes traumáticas e perderam os filhos. Isso não me serviu de consolo (nem pensar!!) mas fez-me perceber que há coisas que fogem ao nosso controlo. O meu sentimento de revolta foi suavizando pois interiorizei o facto de que há coisas que têm mesmo que acontecer independentemente dos cuidados que tenhamos. Podemos ser super saudáveis, podemos ter uma excelente alimentação, praticar desporto, ter cuidado com a saúde...mas isto não evita certas coisas. Eu fiquei muito revoltada pois nunca pensei que uma coisa destas me pudesse acontecer. EU, uma pessoa com tantos cuidados, EU uma pessoa que planeio tudo e penso em todos os detalhes. Quando o médico me disse que eu corria sérios riscos percebi que a vida é curta e nesse momento nunca mais fui a mesma.

Sei que as minhas palavras reflectem o azedo da minha alma ao recordar certas coisas... mas podem servir de ajuda para alguém.

Não há super mulheres, não há melhores ou piores mães porque deram de mamar ou optaram pelo biberão, não há "Mais mulher" ou "Menos Mulher" porque se optou pelo parto normal ou cesariana, não há valentonas ou medricas porque optaram pela epidural... cada MULHER é uma MULHER, cada PARTO é um PARTO e por detrás de cada acção há sempre um motivo, uma história. Eu também nasci de parto natural com ventosa, a minha mãe teve um parto horrivel e na altura disse que não queria ter mais filhos! Passados 26 meses nasceu o meu irmão!!! De parto natural, sem qualquer problema! Nasceu num instante, sem dores, sem sofrimento. A mulher era a mesma, a equipa médica também, os procedimentos médicos também, eu e o meu irmão nescemos com peso e medidas semelhantes (grandes e gorduchos)....e os partos foram ambos tão diferentes! Isto para dizer que não há fórmulas mágicas para o sucessso de um parto. A mulher deve dar a sua opinião mas também deve ouvir a equipa médica. Por alguma razão morrem cada vez menos mulheres em trabalho de parto. Por alguma razão morrem cada vez menos bebés à nascença. Por alguma razão a esperança média de vida é maior. A medicina e a ciência têm dado o seu valioso contributo.

Gravidez não é doença mas há mulheres que sofrem muito durante uma gestação. Há aquelas que trabalham até ao último dia e há aquelas que ficam de repouso absoluto do principio ao fim. Eu, por exemplo, nunca me senti tão mal na minha vida como na minha primeira gravidez. Tanta dor, tanto mau estar interno.A minha segunda gravidez foi completamente diferente! Sentia-me bem, feliz, sentia o tal "estado de graça". O parto foi horrivel, é verdade, mas faz parte do passado e hoje sou mãe de uma menina maravilhosa.

Não vou falar mais sobre a minha primeira gravidez nem sobre a perda dos gémeos. Já dei o meu contribuito e deixo aqui uma palavra de força e coragem a todas as mulheres a quem a vida pode ter pregado uma partida. Para mim só há uma verdade absoluta: Ser mãe é a melhor coisa do mundo.