terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Assuntos que me tiram do sério

Nascer-se mulher (ainda) é uma condenação em certos países por este mundo fora. E se há assuntos que me revoltam, este é um deles.

A condenação social, sexual e profissional a que as mulheres estão sujeitas tem as suas raízes nos primórdios da história. E tenho para mim que a igreja tem dado o seu "valioso" contributo. Basta, por exemplo, olhar como a igreja católica tem tratado as mulheres ao longo dos séculos. Sempre foram uma espécie de seres menores, simples costelas de Adão que não sabem fazer mais que não pecar.

Só os homens estavam destinados a vencer, a amar, a reinar, a ser donos de si e dos seus destinos. Às mulheres sempre restou muito pouco ao longo da história.

Felizmente os tempos estão a mudar e, se no ocidente a igualdade de direitos já não suscita grande polémica, o mesmo não se pode dizer noutros cantinhos do mundo.

Para muitos pais ter uma menina é uma espécie de maldição, uma praga, uma condenação. Sonham com filhos varões e querem ter um macho a todo o custo, nem que para isso tenham que abandonar ou matar as filhas (MONSTROS!!!... para não lhes chamar outra coisa).

Esta preferência pelos filhos do sexo masculino tem raízes culturais e políticas muito fortes. Raízes que remontam aos tempos dos dotes, aos tempos dos reis, à lei sálica que consagrou a primogenitura masculina. Tudo isto serviu para condenar à nascença milhões de mulheres. Para já não falar na política do filho único que verdadeiros atentados tem gerado.

Hoje os tempos são outros mas o sonho do filho varão ainda povoa a mente de muito boa gente.

Por estas e por outras é que a revista da Associação Médica do Canadá defendeu ontem, no seu editorial, que os médicos não deveriam revelar o sexo do bebé antes dos sete meses e meio de gestação, para evitar o aborto seletivo de meninas. Ao que parece, o Canadá converteu-se nos últimos tempos, num paraíso para os pais que desejam abortar bebés do sexo feminino devido à sua preferência pelos filhos varões. E no topo da lista estão, como não podia deixar de ser, os imigrantes asiáticos oriundos da China e da Índia.

É este o mundo em que vivemos :-(

Mas ao mesmo tempo dou por mim a pensar: será melhor abortar porque o sexo do bebé não é o pretendido, ou será melhor desprezar, abandonar e mal tratar uma menina para o resto da vida????? Como será tratada uma criança do sexo feminino, nascida no seio de uma família que, por razões políticas, só pode ter um filho e vive obcecada com um varão?? Há uns anos vi um documentário sobre os milhares de meninas que são abandonadas na China e fiquei horrorizada. Pobres crianças. Como é que há pais que conseguem desprezar os filhos?? Como é que uma mãe consegue abandonar o seu fruto??? Será que esses pais não vivem com um peso na consciência para o resto da vida??? Deviam ser presos, ou melhor, deviam ser alvo de processos químicos que os impedissem de voltar a ter filhos. Talvez assim começassem a dar valor à vida e a perceber que um filho é uma bênção. Eu só defendo o aborto em casos de anomalias fetais ou de violação. Nada mais. Porque, numa sociedade civilizada, só engravida quem quer! Não me venham falar de descuidos porque há muitas formas de os evitar.

Não sou feminista, aliás, não suporto discursos feministas ou machistas mas defendo com unhas e dentes a dignidade do ser humano, independentemente do sexo com que nasceu. Afinal, o sol quando nasce, nasce para todos (ou pelo menos assim deveria ser).

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