sexta-feira, 30 de março de 2012

Pérolas. E o papá?

O papá chega esta noite. Só espero que a chuva não dê lugar a uma trovoada ou a algo do género para eu não ficar a olhar para o céu com o coração do tamanho de uma ervilha. Pois, porque da última vez que ele saiu do país em trabalho, fez um temporal tão, mas tão grande que eu ia tendo uma coisinha má. Tive que fazer das tripas coração para me controlar, para não passar os meus receios à minha filha. Estávamos as duas aqui em casa, à janela, a olhar para a trovoada monstruosa enquanto o papá andava lá no alto, algures num avião. Quando o homem me chegou a casa eu nem queria acreditar! Bolas... que stress... sou uma tonta... mas sou assim.

E hoje aqui andamos as duas em contagem decrescente para o ver entrar por aquela porta! E ela, com o seu espírito materialista, próprio de uma criança de 4 anos, está farta de me perguntar "o que é que será que o papá me vai trazer de Paris?? Eu não quero roupa porque já tenho muita, eu gostava muito que ele me trouxesse um brinquedo"

"Ahhh tens muita roupa, e não tens muitos brinquedos??? tens montes de tralha no teu quarto!"

"Ohhh mamã, mas tu sabes que eu gosto muito de brinaquedos, sou uma criança e as crianças gostam de brinquedos".

Toma, tenho que engolir em seco perante esta resposta...

E depois pergunta ainda "E tu achas que em Paris há brinquedos? Há muitas lojas?"

"Ohhhh filha, se há! Em Paris há de tudo um pouco! Mas o importante é o papá chegar bem, não é? O papá é muito mais importante que qualquer brinquedo, não é? As pessoas são muito mais importantes que as coisas, compreendes? Brinquedos há muitos mas as pessoas são únicas, percebes?"

Ela compreende mas de uma forma muito relativa. Eu é que faço questão de lhe repetir isto várias vezes para que ela vá interiorizando que nós pessoas é que somos importantes, os bens materias são apenas coisas que completam a nossa felicidade de uma maneira muito superficial.

Mas uma criança de 4 anos não tem esta perceção como é óbvio.

Eu só quero que o meu querido maridão chegue bem a casa. Já lhe disse que para mim escusa de gastar dinheiro seja no que for porque a vida não está para devaneios e eu não preciso de mais tralha, malas e pulseiras. 

Mas isto sou eu... com 36 anos a pessoa já tem uma visão da vida completamente diferente... eu pelo menos tenho.

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