sábado, 15 de setembro de 2012

15 de Setembro... porque a paciência e o "aperto" também têm limites

Quem segue o meu blog percebe de imediato que tenho um enorme orgulho em ser portuguesa e que admiro e apoio o que por cá se faz porque acredito piamente que temos tudo para ser um país da linha da frente... melhor dizendo, temos "QUASE" tudo, só nos falta uma classe política à altura do pais. Do que serve termos pessoas com talento, pessos empreendedoras com vontade de fazer mais e melhor se temos uma máquina estatal que engole tudo e todos? Atenção que não me estou a referir ao actual governo mas SIM, a todos os que têm desfilado pela Assembleia nos últimos anos. Todos eles têm dado as suas facadas letais.

Os meus pais viveram o 25 de Abril de 1974 e eu hoje fiquei com a sensação que este 15 de Setembro foi um marco para a minha geração. Confesso que por um lado, senti orgulho ao ver tamanha coesão nacional de norte a sul do pais (e ilhas incluidas) mas por outro, senti um aperto no peito porque temo o futuro. Por mais otimista que seja, dou por mim a pensar o que vai ser de mim quando for velha ou o que será da minha filha quando for grande.... é que se isto continua assim, vamos ter que emigrar para a Lua porque o país e o mundo estão a ficar anti-humanos. Pior que a situação política é a falta de consideração pela vida, pelos seres humanos. O homem é talvez o único animal com capacidade de se destruir a si próprio... e somos racionais, nem quero imaginar se não o fossemos!!... o caso da mulher chinesa que se viu obrigada a abortar aos 7 meses de gestação por estar grávida do segundo filho e não ter dinheiro para pagar a multa, não me sai da cabeça. MONSTROS, ASSASSINOS... que mundo este.

Felizmente que no nosso Portugal a loucura governamental não roça estes extremos, mas vivem-se outras situações que me entristecem e preocupam como mulher, mãe e cidadã atenta. Tenho por lema viver intensamente o presente mas não vivo alienada e não consigo deixar de pensar também nos dias de amanhã. Esta crise crónica e avassaladora, esta austeridade vil e desmesurada... where is the end??? Eu costumo dizer que as coisas só pioram até um certo ponto e que depois começam a melhorar... mas a verdade é que não vejo melhoras. Onde está a nossa independência? onde está a nossa soberania? onde estão os princípios do estado social de direito que a nossa constituição defende?

Tenho para mim que tudo isto deixou de existir. Agora somos marionetas nas mãos da europa e a dívida externa é o fio que conduz o país e as gerações vindouras para uma espécie de poço sem fundo. O que raio andaram as nossas classes políticas a fazer ao longo dos últimos 10/15 anos?... tanto estudo, tanta análise para quê?... políticos e economistas não perceberam que se caminhava para o caos económico e social?

Estamos atentos, temos formação, temos licenciaturas verdadeiras, acreditámos, confiámos, temos trabalhado mais que todas as outras gerações juntas, temos sido explorados até à raíz dos cabelos, vemo-nos a braços com propostas de trabalho ultrajantes onde quase nos pedem para pagar para trabalhar... e no meio deste caos ainda conseguimos colocar filhos no mundo. E a classe política, o que é que tem feito?... roubar, prometer, esbanjar, gozar com quem ganha a vida honestamente... e como se isto não bastasse, ainda venderam a alma ao diabo comprometendo o pais a uma espécie de purgatório perpétuo.

Neste momento não tenho qualquer convicção política. Por mais que queira não acredito em direitas, centros ou esquerdas. É triste chegar a este ponto mas é a mais pura verdade. É triste quando se deixa de acreditar em algo ou em alguém.

Gosto que o meu blog seja um cantinho cor de rosa onde falo de coisas bonitas mas a vida não é cor de rosa e nem só de trapos e bugigangas vive uma mulher. A nossa classe política pode estar cega mas nós não!... o país está atento e unido... quero acreditar que ainda há esperança... e espero não a perder porque seria muito mau sinal...



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