terça-feira, 25 de setembro de 2012

Debaixo de uma pilha de nervos, às compras e a chamar a chuva

Ontem deitei-me com uma dor de cabeça monstra e sem um pingo de paciência, tudo por causa da minha Rafaela fofinha que tirou a tarde para me massacrar o juízo com as suas traquinices constantes. Irra! que a piolha está cada vez mais desvairada! já me tinham avisado que vão piorando à medida que vão crescendo mas eu pensava que a minha rica fica seria uma excepção e que a caminho dos 5 anos seria uma criatura mais calma.... WRONG!!! cada vez está mais reguila e senhora das suas vontades. Está a crescer, pois claro... é um doce de menina, a meiguice em pessoa mas é tão chata, tão reguila e tão enérgica que é capaz de cansar um morto!!! ontem quando cheguei a casa estava capaz de a esganar tal não foi a pilha de nervos que me meteu durante toda a tarde. A sorte dela é que a mamã é uma banana (como diz o papá!) porque fala, explica, grita e tem um pachorra de anjo em vez de lhe chegar a roupa ao pelo como ela às vezes merece. Mas sou incapaz de lhe bater. Ameaço, digo que é desta que leva uma sova e viro o disco e toco o mesmo! já diz o ditado que cão que ladra não morde! Sou apologistas dos castigos porque se não bato em ninguém porque raio ia bater no ser que mais amo neste mundo?... mas ontem tive que lhe dar uma palmada naquele rabo para ver se ela se acalmava porque a tampa saltou-me após tantas horas de traquinices.

Caí no erro de ir às compras para o Alegro e para o Jumbo com ela atrás porque de manhã, enquanto esteve na escola, não consegui lá ir. E quando se é mãe a tempo inteiro (como eu) e não se tem avós ou família por perto para dar uma ajuda (como é o nosso caso) só restam duas alternativas. Ou não vou a lado nenhum onde haja lojas ou então vou com ela atrás e benzo-me quinhentas vezes antes de sair porque já sei que vou chegar a casa à beira de um colapso. 

Para além disso, pensei que o melhor seria levar a piolha comigo pois a ideia era comprar algumas roupas que lhe estavam a fazer falta para a próxima estação e que ela teria que experimentar porque eu  tenho muito mais que fazer do que andar a caminho das lojas a trocas coisas. E esquisita como é, tem mesmo que experimentar para depois não me massacrar a cabeça. Mas o passeio começou logo mal porque a madame, ao ver o céu cinzento, ficou feliz da vida e resolveu trazer o chapéu de chuva atrás! a teimosia começou logo aqui.

"Rafaela, tu nem penses que vais andar no centro comercial com o chapéu de chuva aberto atrás de mim! estás a ouvir? o chapéu fica no carro ou então vem na tua mão mas fechado porque lá dentro não chove, estás a ouvir? fica descansada porque vais ter o inverno todo para o usar!"

"Ohhhh mamã, mas qual é o interesse de andar com um chapéu de chuva fechado???"

Ai ai.... respirei fundo e lá a deixei trazer aquela porcaria atrás mas fechado (pensava eu!).... porque mal chegou ao shopping achou por bem andar feita tonta com aquilo aberto. No início até me deu graça porque sou muito sensível às coisas simples da vida, adoro ver a felicidade estampada naquela carinha linda, uma felicidade pura e genuína que me fascina. As crianças são felizes com tão pouco e sei que daqui a uns anos já não achará graça nenhuma aos chapéus de chuva e muito menos à chuva!!...enfim, lá acabei por ceder, mas disse-lhe que quando entrássemos nas lojas teria que o fechar. Mas ela resolveu abusar da minha paciência e não fez caso... e foi aqui que a mamã começou a borbulhar por dentro! 

Em suma, acabámos por comprar tudo o que pretendíamos mas acabou por apanhar uma palmada naquele rabo para se acalmar e fechar a porcaria do chapéu de uma vez. O problema é a falta da sesta! em agosto começou a recusar dormir a sesta (e nem me posso queixar porque não tarda tem 5 anos e a maior parte das crianças começa a rejeitar a sesta muito mais cedo) mas a partir daí a sua energia multiplicou-se de uma forma inexplicável e não dou conta dela. Começa a ficar desvairada, numa agitação fora do normal como se estivesse possuída por alguma coisa ruim, fala, fala, canta, pula, corre, mexe em tudo, pede tudo e fala, fala, fala.... e corre, corre.... só sei que cheguei a casa à beira de um ataque de nervos e com a cabeça prestes a estoirar. Sempre de olho nela e nos sacos e está sossegada e não mexas aí e anda cá e experimenta lá isto, e tem cuidado, e olha a cabeça e vamos embora...... bufffffffffffffff.... 

A verdade é que o meu coração de manteiga e o meu espírito poético são a minha desgraça. São a minha desgraça e a sorte dela!!!... no inicio, antes de me saltar a tampa, ainda puxei do telemóvel para registar a alegria com que ela por ali andava porque sei que daqui a uns anos, quando ela for uma senhora ajuizada, vou ter muuuuuuuitas saudades destes tempos em que me faz a cabeça em água 


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3 comentários:

  1. Como eu te compreendo!!!!
    Já cheguei à conclusão que o guarda-chuva tem um poder mágico e alucinante. Quando vislumbram um ficam possessos e não o largam dentro e fora de casa, aberto e fechado milhentas vezes por eles (que assim é que tem piada)...
    Agora imagina esse mesmo filme mas com dois "piratolas". De fugir!!
    E tanta é a felicidade que esse objecto lhes proporcina :)
    Ana Cristina

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  2. Pois é Inha, as crianças são assim!
    Eu já vivi momentos desses e recordo-os com muita alegria e ternura.
    É saudável tem uma criança endiabrada por perto.Beijinhos

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