terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mente sã em corpo são.... para viver mais e melhor!

E porque hoje é Dia Mundial da Alimentação, aqui fica, para quem não teve oportunidade de ler, o artigo que escrevi há uns meses para a Consulta Click Portugal

Aqui em casa somos apologistas de mente sã em corpo são e o lugar do lixo é no lixo e não na nossa barriga. Temos hábitos alimentares bastante saudáveis e todos os dias os passamos à nossa filhota. Escusam de me dizer que as crianças não comem isto ou aquilo porque o exemplo tem sempre que partir de nós. As crianças aprendem com os nossos actos e não com as nossas palavras. Numa casa onde ninguém come sopa, o mais provável é ver os pequenotes a fazer cara feia assim que avistam o prato e a colher. Aqui em casa a refeição começa sempre com um prato de sopa, seja almoço, jantar, inverno ou verão. A nossa pequena cria não passa sem ela e se eu a deixasse repetia mais do que uma vez mas não permito porque faço questão que na sua barriguinha fique espaço para o segundo e para a sobremesa porque assim é que está correcto. Cada um de nós é aquilo que come, não tenham dúvidas. A excepção vai para as pessoas que têm alguma disfunção grave (por exemplo, na tiróide) e isso aí já é outra conversa. Essas pessoas podem ter uma alimentação saudável e pesar mais que uma baleia. É uma disfunção que carece de intervenção médica. Mas as pessoas normais, sem disfunções, só têm problemas de peso se quiserem. O problema é que comem todo o tipo de lixo e depois querem milagres. Há ainda os chamados falsos magros, pessoas magras mas com um elevado índice de gordura. Pessoas que aparentam ser magras mas que têm gorduras localizadas ou gorduras internas (e essas são bem nefastas para a saúde!).

Saber comer é fundamental e neste ponto devo agradecer aos meus pais que me ensinaram desde criança a comer de forma saudável porque o paladar também se educa. Comer correctamente é para mim uma rotina, é simplesmente algo que faço todos os dias para  bem da minha saúde e da minha aparência. 

Aqui em casa as coisas são assim:
- O lugar do lixo é no contentor e não na nossa barriga;
- Comer em qualidade e não em quantidade;
- Não comemos carnes vermelhas. Só carnes brancas (frango e peru);
- Aqui não há fritos, aliás, nem temos óleo em casa. Aqui temos cozidos, grelhados, assados e alguns guisados;
- Sim ao peixinho;
- Muita massa, arroz, hortaliças, frutas e leguminosas;
- Para temperar a comida temos azeite, limão, vinagre e muitas ervas aromáticas;
- Sopa é a palavra de ordem, ou seja, as nossa refeições começam sempre com um prato de sopa de legumes.
- Comemos todos o mesmo. Cabe aos pais dar o exemplo pois um pai que não come sopa não pode esperar que o filho a coma!
- Para beber temos água, leite, chá, iogurtes líquidos e vinho (o papá gosta de beber um copinho uma vez por acaso). Sumos só naturais. Nada de refrigerantes ou sumos indústrias.
- Pão integral ou com cereais.
-Queijo, manteiga de soja e fiambre de peru.
- Mel, nozes, amêndoas, amendoins, pinhões para misturar nos iogurtes.

Em suma, comemos em qualidade e não em quantidade, comemos para viver e não vivemos para comer. Aqui em casa o "lixo alimentar" não entra. Aqui não há fast-food, aliás, eu até costumo dizer que se um dia alguém me vir entrar numa cadeia de fast-food é melhor levarem-me para o Júlio de Matos porque é sinal que perdi por completo a minha sanidade mental. Mas reconheço que o marketing destas cadeias é brutal e enganam as pessoas mal informadas com as falsas saladas e menus pseudo saudáveis. Fartam-se de exibir os certificados de qualidade das suas carnes e afins (e de facto sei que é tudo certificado porque já trabalhei numa revista onde nos foi dado a conhecer os bastidores da fast-food e tudo é confeccionado com o máximo de rigor e higiene, disso não há dúvida), mas o problema é a forma como são confeccionados e as calorias que cada um destes menus apresenta. É de loucos! E ali estão as criancinhas felizes da vida a brincar com a bonecada que vem dentro dos menus ou nos parques que estas cadeias alimentares constroem para atrair a pequenada. Parece um programa perfeito em família, não parece? Comem barato, as crianças brincam e ainda levam um boneco para casa. Mas na verdade deram mais uma facada na saúde, devoraram menus hiper calóricos, comida que do ponto de vista nutricional vale zero. 

Mas o pior de tudo é a conversa da maior parte destas pessoas que revela ou uma grande ignorância ou uma tremenda falta de gosto. Vêm com a conversa que nas cadeias de fast-food se come barato e que não têm dinheiro para almoçar noutro restaurante. Meus amigos, se não têm dinheiro para comer fora não comam! Comam em casa ou preparem um piquenique saudável e vão com as crianças para o ar livre como nós fazemos tantas vezes. Depois há quem me venha com a velha desculpa que uma alimentação saudável é mais cara. Nem pensar, é precisamente o contrário. E temos ainda os hipócritas, que perante esta pergunta “Então diz-me lá, se te oferecessem duas refeições por qual optavas? Um hambúrguer com batatas fritas e um gelado OU um peixe grelhado com legumes, batata cozida e uma peça de fruta?”, começam a gaguejar e acabam por dizer que preferem a primeira porque o peixe não puxa carroça e porque nem gostam de fruta. Em suma, preferem o "lixo alimentar" porque foram educados nesse sentido. Eu costumo dizer que o paladar também se educa e não tenho dúvidas disso.

Depois há quem me diga que comer umas porcarias de vez em quando não faz mal. Tudo bem, há excepções, mas em relação aos nossos filhos temos que ser particularmente zelosos porque as crianças não têm bom senso, ou seja, as crianças só gostam de comer e de fazer aquilo que lhes agrada. Quando gostam de uma coisa esquecem tudo o resto. Quem as faz ir brincar e correr para a rua quando começam a ficar viciadas nos jogos de computador? Os adultos sabem dosear (alguns!) mas as crianças não. Quem as convence a comer sopa, legumes e peixe depois de entrarem no mundo viciante das batatas fritas, doces e fast-food? Quem as convence a beber água e chá quando começam a dar-lhes refrigerante?

Não sou uma pessoa fundamentalista mas nestas questões da alimentação SOU e assumo. As crianças são aquilo que os pais fazem delas. Um destes dias uma mãe dizia-me "nem sei o que vai ser quando o meu bebé crescer e começar a comer da nossa comida porque nós só comemos pizzas e hambúrgueres. Não temos tempo para cozinhar!" Eu respondi-lhe "não me digas que não tens tempo para abrir uma lata de feijão frade e atum e fazeres uma refeição mais saudável? não me digas que não tens tempo para colocar uns legumes e um peixe a cozer enquanto tratas de outras coisas? ou em vez de fritares um hambúrguer porque é que não o fazes grelhado e acompanhas com legumes ou arroz?.... e continuei com uma série de exemplos. Mas percebi que nenhuma daquelas sugestões eram do seu agrado e a falta de tempo é a desculpa perfeita.

Por último, é fundamental que as refeições sejam momentos reservados à família e ao diálogo. Aqui em casa é à mesa que fazemos o balanço do dia, é quando contamos uns aos outros o que se passou, o que fizemos. Não há televisão. Somos os três à mesa a saborear a companhia uns dos outros e a apreciar a refeição. Mais nada. Em suma, como mãe faço questão de explicar à minha filha os benefícios de uma alimentação saudável e de um estilo de vida activo. Dou-lhe exemplos e faço-lhe ver as coisas como elas são."Temos que comer alimentos saudáveis para os bichinhos bons que vivem no nosso corpo estarem sempre muito fortes para conseguirem lutar contra os bichos maus que nos atacam e nos fazem ficar doentes".


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2 comentários:

  1. Que artigo maravilhoso! Sinto exactamente da mesma maneira. Gosto muito de cozinhar e faço questão de elaborar pratos saudáveis. A minha gordura de eleição também é o azeite e de boa qualidade pois faz toda a diferença no sabor do prato. Concordo igualmente quando diz que a comida saudável não é mais cara, antes pelo contrário sai mais em conta que comprar "porcarias processadas". Por via disso trago o meu comer para o trabalho para evitar refeições mais calóricas e também me sai mais económico. E a verdade é que num instante se faz um prato saudável e até podemos adiantar de véspera algumas coisas. Tudo uma questão de organização e gestão racional do tempos e vale pelos resultados que obtemos na nossa saúde.

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