segunda-feira, 30 de junho de 2014

Ser mãe é #25

Amar a vida de uma forma inexplicável e temer que tudo possa terminar de um momento para o outro. Tenho 38 anos e não sei lidar com a morte. Nunca soube. Uma pessoa sonhadora como eu devia conseguir acreditar numa vida para além desta... mas não consigo. Gostava de acreditar mas não consigo. Para mim a morte é o fim. Até pode haver outra vida para além desta mas não será igual. Nascemos para morrer? É isto? Não pode ser. Tem que haver algo do outro lado que dê continuidade à nossa existência... tem que haver algo que dê sentido a tudo isto... haverá?... não sei... não acredito... mas gostava de acreditar.

Acredito em Deus (e falo com ele muitas vezes à minha maneira) mas não tenho religião. Sou batizada, fiz a primeira comunhão, andei na catequese mas deixei de ter religião quando comecei a pensar com a minha própria cabeça. Por isso é que me casei por civil. Tenho fé mas não consigo acreditar nas religiões, ainda para mais quando cometem as maiores atrocidades em nome de Deus. A hipocrisia e o fanatismo religioso chocam-me, revoltam-me, mexem comigo. 

Só sei que a morte é a nossa única certeza. Não escolhe sexo, idade, etnia nem classe social. Mais tarde ou mais cedo leva-nos consigo sem pedir licença. Arrasta-nos abruptamente. E isso perturba-me. Perturba-me de uma forma corrosiva. Nascemos e morremos. Então qual é o objectivo da nossa vida? O que é que andamos cá a fazer? A resposta está na felicidade. A felicidade é o motor da vida. A vida só faz sentido quando temos razões para sorrir e sonhos para concretizar. 

Mas também há várias formas de morrer. A pior de todas é quando deixamos de ter motivos para sorrir e sonhar. Não há pior morte que esta. A saudade e o vazio passam a ocupar o trono que outrora pertenceu à felicidade. É uma morte lenta. A pior de todas. É isso que sente uma mãe que perde um filho. É esse o medo com que todas vivemos. Nenhuma mãe devia passar por tamanha dor... os filhos só deviam partir depois dos pais... nenhum Deus devia permitir que isso acontecesse antes...


Correr atrás dos sonhos... amar e mimar sem limites... dizer "Amo-te" as vezes que forem precisas. Nunca deixar para amanhã o que podemos dizer e fazer hoje porque amanhã pode ser tarde demais. É esta a minha maneira de estar na vida. Vivo com esta alegria, com este amor, com esta intensidade... e com este medo. Sou humana e acima de tudo sou mãe.

AngelLuzinha

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