sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Ser mãe é #28

"Mamã, onde é que vamos passear hoje?"

"Tem calma Rafaela, ainda agora abrimos os olhos! Temos que tomar o pequeno almoço e a seguir tenho que ir para o computador... e a seguir tenho que fazer o almoço... e as camas... e também temos que passar pelo supermercado. Depois de almoço vamos passear, o.k?"

"Ohhh, deixa lá o computador! Vem brincar comigo! Sabes que eu não gosto nada de brincar sozinha!"

"Rafaela, a mamã não pode estar sempre a brincar! As coisas não se fazem sozinhas e o dinheiro não cai do céu. A mamã também tem que trabalhar! Logo à tarde vamos ao parque, está prometido."

Tem sido assim todos os dias. Tem um quarto cheio de brinquedos mas só quer passear e brincar comigo. Passa a vida a chamar-me ou de volta da pobre Amélie (a cadela tem uma paciência!). Chego a convidar amigas para passarem a tarde com ela (na esperança de conseguir trabalhar enquanto brincam) mas rapidamente se desentendem ou começam a andar de volta das minhas pernas a dizer que querem lanchar... e depois querem ver um filme... e depois não conseguem abrir a caixa do jogo... ou não encontram o vestido da boneca... ou deixaram cair o batom para trás do móvel... e blá, blá, blá. Em suma, só consigo trabalhar de madrugada ou no fim de semana (porque tenho o papá para ajudar)... e depois? Depois ando mais morta que viva e sem paciência para nada. Os dias voam e não consigo fazer nem metade do que tenho para fazer. Os filhos são o melhor da vida mas também têm a capacidade de nos sugar a energia até ao limite. Só uma mãe sabe a atenção que uma criança requer! Às vezes pergunto-me se errei nalgum ponto porque a Rafaela não se entretém a fazer nada sozinha... a caminho dos 7 anos continua a ser uma criança absolutamente absorvente (mas sempre tão meiga e tão doce!). Será por ser filha única? Será por sempre lhe ter dado toda a atenção do mundo?... a verdade é que a minha cabeça anda a estoirar e só anseio pelo começo das aulas (que horror! nem acredito que estou a dizer isto!) para eu conseguir voltar a trabalhar em condições, cuidar de mim e fazer uma limpeza geral à casa.

Por outro lado, sei que em breve vou sentir a falta dela porque as aulas do 1º Ciclo só terminam às 17h00 e ao longo destes 6 anos ela só frequentou a escola da parte da manhã. Foi por ela e por nós que mudei o rumo da minha vida profissional. Vê-la crescer e ser uma mãe presente é o que me faz feliz. Sempre a fui buscar entre as 14h00 e as 15h00. Este ano isso já não vai ser possível porque na escola dos grandes os horários são outros!... vou estranhar imenso. Enfim, ser mãe é isto! É viver num permanente dilema!... de qualquer forma, as minhas manhãs estão fazer-me muuuuita falta... para bem da minha sanidade mental... vocês sabem como é...

Mas depois olho para estas fotos e só me apetece esborrachar esta bonequinha com mimos! Dá-me cabo do juízo mas amo-a até ao infinito e mais além... quem me dera que fosse sempre criança para andar eternamente de volta das minhas pernas! Quem disse que as mães são boas da cabeça?? Temos pouco de racional... o coração fala sempre mais alto 










#mylove #mylight #mylife

AngelLuzinha

2 comentários:

  1. Entendo perfeitamente o que expressa neste post.
    Sempre trabalhei e ao contrário da Paula quem ia levar e buscar o meu filho à escola era a minha mãe. Foi assim durante 9 anos. Há um ano e meio que estou desempregada e sinceramente.... nunca gozei tanto o meu filho como agora. Voltei a ser mãe há cerca de 4 meses ( de uma menina) e neste momento ele ja tem quase 12 ..noto que se tornou num homenzinho.
    Perdi tanto da sua infância enquanto trabalhava... ja nao bastava estar fora todo o dia ainda trazia os problemas do trabalho para casa... sentia que não havia a paciência que ele precisava.
    Tudo isso me levou a decisão de vir para casa. A empresa onde trabalhava mal e não pensei duas vezes quando me perguntaram se queria fazer um acordo e vir para casa.
    Hoje aproveito cada minuto e cada segundo tanto com ele como com ela :-D
    Os anos passam e qualquer dia deixam-nos para seguirem o seu caminho.
    Acredite que não fez nada de mal... dê-lhe todo o carinho e atenção que possa.. vai ver que daqui a uns tempo vai desejar que ela tenha 6 novamente.

    Beijinhos
    Cristina Malheiro

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    1. Sem dúvida Cristina ♥ Desde que sou mãe passei a ter uma percepção completamente diferente do tempo... passa demasiado rápido... crescem demasiado depressa... vivo numa ânsia de aproveitar tudo ao máximo...

      Beijinho grande e obrigada pela partilha. Adorei ler ;-)

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