quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Há coisas que me tiram do sério...

Sempre frequentei escolas publicas e orgulho-me de ter conseguido entrar para uma das melhores universidades públicas do país. Sempre fui (demasiado) exigente comigo mesma e sempre levei a vida de estudante muito a sério. Vivia tudo com uma responsabilidade imensa. Recordo-me perfeitamente da pilha de nervos que sentia na véspera e nos dias de testes/exames/frequências. Mas também me recordo do alívio que sentia quando os lia de uma ponta à outra e percebia que tinha tudo para correr bem. 

Ao longo da minha vida de estudante nunca tive que repetir um teste ou exame. Um pessoa estudava, fazia os testes e vinha para casa descansada. Mas os tempos mudaram e o ensino já não é o que era. É melhor, é pior? Não sei. Nem vou entrar por aí porque a conversa dava pano para mangas. No meu tempo tínhamos a mesma professora da 1ª à 4ª classe. Hoje são muitas as crianças que têm uma cara nova todos os anos. Os diretores dizem que não há problema porque vivemos na era da polivalência e flexibilidade e é bom começar a lidar desde cedo com a rotatividade e mudança. Será? Não sei... a única coisa que sei é que as crianças têm uma capacidade de adaptação muito superior à dos adultos (felizmente!). No meu tempo os professores eram estimados e respeitados pelos pais, pela comunidade e pelo Ministério da Educação. Hoje são uma espécie de tribo nómada que se desloca ao sabor das colocações. No meu tempo a falta de educação era punida de imediato. Hoje um professor vê-se grego para manter a ordem numa sala porque é tudo antipedagógico. Ouço histórias de bradar aos céus, tanto do ensino público como do privado.

Muita coisa mudou. Isto para dizer que ao longo da minha vida de estudante nunca tive que repetir um teste... mas o mesmo já não posso dizer da Rafaela! Entrou para a escola primária este ano e hoje foi repetir o teste de matemática porque verificaram que havia um erro de impressão no teste que fizeram na semana passada. Acham normal???????? A semana passada foi dura para pais e crianças. Estamos a falar de miúdos com 6 e 7 anos que começaram agora a lidar com a pressão inerente às avaliações. Passei horas com a Rafaela de volta dos livros e cadernos, ensinei-a a estudar, o teste correu-lhe bem e ontem fiquei a saber que hoje iriam repetir a prova porque a anterior foi anulada. Acham normal? Estamos a falar de todas as turmas do 1º ano, ou seja, largas dezenas de crianças. Tudo a repetir a dita prova. Só espero que os responsáveis pela elaboração das mesmas não voltem a dormir em serviço. Isto não se faz.


A corujinha amorosa da Boo&Me muita atenta às milhentas páginas de exercícios que a mamã passou à pequena cria. Sim, porque ser mãe também passa por voltar a estudar para acompanhar os novos métodos de ensino. No meu tempo não havia destas aranhas numéricas... só espero que a prova de hoje lhe corra tão bem como a anterior... mãe sofre... e isto é apenas o começo de uma longa jornada...

AngelLuzinha

7 comentários:

  1. Estou solidária convosco! Há coisas que não fazem sentido, e sujeitar as crianças a repetições de testes no 1º período do 1º ano ??! devido a erros dos responsáveis é uma aberração. A avaliação é contínua, os professores é que devem ter a capacidade e flexibilidade para avaliar doutra forma! Força e um beijinho para a Rafaela.

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  2. Só posso aconselhar a que a Paula fale com o representante dos pais dos alunos e se dirijam ao conselho directivo. Não há nada como apurar responsabilidades e mostrar desde logo o descontentamento.
    Beijinhos

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    1. O representante dos Pais sou eu! Voluntariei-me no inicio do ano letivo porque faço questão de estar sempre a par da vida escolar. Uma pessoa tem que andar sempre com os olhos bem abertos e mesmo assim apanha surpresas...

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  3. total falta de respeito para com os estudantes e pais....Bastava ter anulado a questão errada e resolvia-se o problema....parece-me que a incompetência está a chegar em todo o lado!!!!!

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  4. Olá minha querida. Sou professora e também trabalho com uma turma de 1.ºano este ano.
    Não compreendo a atitude dos meus colegas em anular a prova. Não mesmo!
    Erros todos nós damos, seja em que profissão for, mas quem tem de os corrigir é quem os deu. Se a prova tinha algum erro, era não darem cotação àquela pergunta e valorizarem outra em que a maioria tivesse mais facilidade, uma vez que as crianças não têm de "sofrer" com os erros dos adultos. Que mau exemplo!
    Como mãe, eu reclamava!!! Como professora, tinha recusado repetir na minha turma!!!
    Como mãe e professora, deixo uma humilde sugestão: não dê excessiva importância à preparação para as fichas!!
    Beijoquinhas

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    1. Tem toda a razão Marisa... sou demasiado exigente e preocupada... não me conheço de outra forma, sempre fui assim e não tenho melhoras!... mas tenho que começar a dar menos importância a certas coisas... caso contrário faço-me velha depressa... afinal de contas isto é só o começo :-)))
      Beijinho grande :*

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  5. Desde a creche à faculdade...tudo é um negócio. Realmente não encontro fundamento nenhum na mudança constante dos professores, isso baralha as crianças e as crianças são gente, se nos colocassem um patrão diferente por ano, também não íamos achar grande piada...mas enfim...tudo é um negócio :(
    Relativamente ao resto, realmente muito pano para mangas!!!

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