quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Uma decisão que tem feito toda a diferença

O assunto deste post são as AECS, ou seja, as atividades extra curriculares que decorrem na escola depois dos miúdos terminarem as aulas com a professora titular. Sim, porque a maior parte dos pais não tem uma vida profissional que lhes permite ir buscar as crianças às 15h30 (mas também há os que podem e não estão para isso, digo isto porque conheço alguns casos e até fico parva). A maioria fica por lá de AECS em AECS até às 19h00 ou mais. Em suma, as crianças não têm tempo para serem quem são: Crianças que precisam de libertar energias e brincar como bem lhes aprouver. A imaginação é-lhes cortada pelo rol de atividades e programas pré estabelecidos, o tempo é-lhes roubado pela correria da vida e a liberdade é-lhes sugada por esta sociedade que enche o tempo das crianças como se de um saco se tratasse. 

Muitas saem da escola e ainda vão a correr (outra vez! porque os pais também já não sabem fazer mais nada do que correr de um lado para o outro) para a música, piano, natação, ballet, futebol, karaté, etc, etc, etc. Mas que sociedade é esta que deixou de dar valor ao tempo? Sim, porque o tempo existe para ser vivido e para o vivermos temos que ter tempo. Que sociedade é esta que nos esmaga com falsas necessidades? Sim, porque a filha da amiga tem ballet e a minha também tem que ter porque não é uma coitadinha! Onde está o que realmente importa? Onde está o diálogo e o tempo em família? Onde estão os cabelos ao vento e as correrias no jardim? Onde estão as mãos sujas, os joelhos esfolados e as brincadeiras ao serviço da imaginação?

E assim se passam os dias, meses e anos. Os pais chegam a casa mortos e os miúdos para lá de rabugentos porque isto de passar o dia a correr de um lado para o outro (e a cumprir horários) rebenta qualquer um.

Todos nós precisamos de tempo para sermos nós mesmos e as crianças não são exceção. Tempo para preenchermos com aquilo que nos der na gana ou simplesmente para não fazermos nada. Só assim seremos felizes. Foi por esta razão que não inscrevi a Rafaela nas AECS este ano letivo. Uma decisão tomada em conjunto com o pai e com ela que não se mostrou minimamente interessada em ficar mais duas/três horas na escola para ter aulas de teatro, música, ginástiva e artes plásticas. "Não quero mamã! Eu prefiro sair cedo para ter tempo para estar continuo e brincar". A professora titular também me deu os parabéns porque, se tenho possibilidade de a ir buscar cedo, é de aproveitar porque isso faz toda a diferença no seu desenvolvimento/qualidade de vida. A escola tem um papel importante mas a base da educação/formação está na família.

E garanto-vos que esta decisão tem feito toda a diferença! O ano passado frenquentou as AECS e tinha dias que me chegava a cada impossível de aturar. Vinha saturada e cheia de vontade de brincar e fazer as suas coisinhas (andar de bicicleta, desenhar, pintar, rebolar-se no sofá com a Amélie, etc, etc, etc) mas só lhe restava tempo para fazer os tpc e tomar banho. Isso causava-lhe imenso stress e agitação. Ficava intratável!

Este ano tudo mudou. Depois das aulas temos uma hora e meia de rua e liberdade. Nem o frio nos impede de correr, pular, transpirar e espairecer! A seguir casa, lanche, estudo e trabalhos de casa. Tudo sem pressas. A seguir toma banho e faz o que lhe apetecer até à hora de jantar.

Para o próximo ano letivo será igual. Não queremos AECS. Quando ela nasceu jurei a mim mesma que tudo faria para ser uma mãe presente. Consegui. Não tenho avós por perto que possam dar uma ajuda, tenho uma vida profissional amalucada (sou free lancer, não tenho fins de semana nem feriados) mas corro atrás da nossa felicidade e organizo-me da melhor forma (sim, porque as mães têm mesmo super poderes!). A vida não é fácil, o tempo finta-nos a toda a hora mas cada um de nós deve focar o essencial e desfocar o supérfluo de modo a eliminar o que nos desgasta. E o que é que os outros pensam? E o que é que os outros dizem? Não importa! Sim, porque um dia, quando eles crescerem e nós já andarmos de moletas não são os outros que nos vão devolver os momentos que perdemos.




A raposa mais querida também agradece estes momentos de liberdade e brincadeira ;-)




Quis aproveitar a black friday para comprar algumas coisas para mim mas a paixão que tenho por roupa de criança acaba sempre por falar mais alto! Ao entrar na C&A dei de caras com este casaco... não resisti! Coisa mais fofa ;-)





A fugir dos aliens que iam rebentar com o nosso planeta! A trotinete transformou-se numa nave e o pau serviu de espada na luta contra o mal. Não há limites para a imaginação. Só precisamos de lhe dar espaço e tempo ;-)



Casaco: C&A (nova coleção) 
Leggings Calzedonia (nova coleção) 
 Botas Zippy (do ano passado)

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9 comentários:

  1. Juro que te sigo há muito tempo.. não sou mãe ainda... por isso nunca dei opinião
    Mas já fui filha...
    No meu tempo não havia aecs
    A minha mãe pagava me aulas de inglês uma vez por semana e eu era feliz
    Chegou aquela hora semanal que em pouco estorvava na minha liberdade que me ajudava a ser criança porque a professora era espectacular que me fez apaixonar pela língua
    Hoje vivo em londres e posso dizer que sou feliz
    Quando eu estava no 12 e minha irmã no 5o ano a minha mãe teve a ideia louca de nós inscrever em todas as actividades possíveis

    Todos os dias havia uma, duas ou 3 actividades
    A segunda tínhamos piano e canto primeiro eu tinha canto e depois piano e ao contrário
    Lá corria a mae
    A terca a minha irmã tinha piano novamente e eu era voluntária na paróquia e ensinava informática
    A quarta a minha irmã tinha polo aquático e eu tinha piano e muitas vezes tinha de me apresentar nos bombeiros para os exames semanais
    A quinta eu tinha polo aquático e a minha irmã hóquei em patins
    A sexta a minha irmã tinha polo aquático e eu estava livre
    O sábado era passado a correr as 9 entrava nos bombeiros e a minha irmã no hóquei
    Do hóquei a minha irmã ia o pólo aquatico
    Antes de a minha irmã sair a minha mãe tinha de me ir buscar aos bombeiros para eu na minha hora de almoço ir para o pólo uma sandes antes e outra depois é eu estava pronta
    Deixava me no pólo e tinha de dar almoço a minha irmã
    Para a levar aos pequenos cantores e ao piano ia me buscar quando a deixava nos cantores ia me buscar no polo pq as minhas 2 horss de almoco tinham passado entre o caminho. Duas sandes e uma garrafa de agua gigante e o treino. Tratava da minha irma e as 4 e meia ja com a minha irma pronta no carro ia me buscar e ai comecavam as nossas 30 horas de fim de semana
    Andávamos sempre rotas
    Insuportáveis
    Não vivemos
    Sobrevivemos esse ano. Sem qualquer qualidade. Aprendemos muita coisa sim... mas não éramos felizes... A minha mãe também freelancer chegou ao fim do ano 10 anos mais velha... com milhares de euros gastos entre combustíveis e atividades e com uma única pergunta ... que única actividade querem no final do ano? A resposta foi unânime queremos paz e sossego
    Eu fui para a universidade e a minha irmã teve um sexto ano de criança normal
    Parabéns pela . decisão foi a mais acertada...
    Beijinho

    Www.sramliberdadenegra.com

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    1. Olá Mariana, obrigada pelas palavras tão genuínas e sentidas que aqui deixou. Gostei muito de ler ♥ Infelizmente há por aí muitas crianças que se revêem no seu testemunho. Cabe a cada um de nós parar para pensar porque uma vida vivida com esse ritmo nem se consegue saborear.

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  2. Não sei se gosto mais das suas fotos ou da forma como escreve. Sublime!

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  3. Sábias palavras! A Rafaela é uma sortuda por ter uma mãe como a Paula!

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  4. Não costumo concordar consigo,mas hoje assino por baixo.
    E são "muletas" e não "moletas". Sou professora, isto é defeito profissional

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