quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

40 já cá cantam!

"Sabes mamã, a auxiliar que está à porta da escola disse-me que acha uma parvoíce alguém faltar à escola só porque a mãe faz anos!"

"A sério meu amor? Ela disse isso? E o que é que tu lhe respondeste?"

"Eu respondi-lhe se ela também acha uma parvoíce as pessoas quererem estar com a família num dia tão especial!"

Ora nem mais. Filha minha só podia dar esta resposta! Cada um sabe da sua vida mas mãe há só uma e não é todos os dias que se faz 40 anos. Para mim a família é a base de tudo e como não tenho a sorte de ter os meus pais ao virar da esquina, temos que nos fazer à estrada para estarmos todos juntos. Para além disso, são os momentos que me fazem feliz e não as coisas. O presente que eu mais queria era celebrar esta data com aqueles que mais amo e ter um dia cheio de sol para andar ao ar livre como tanto gosto. E foi isso que tive. Desejos simples que são tudo para mim. 

Não fomos até à minha cidade (Portalegre) porque isso implicava fazer 490km num dia (ida e volta) mas marcámos encontro a meio caminho, ou seja, em Évora. Chegámos debaixo de um sol fantástico e foi assim que permanecemos até ao final do dia. No regresso as nuvens e a chuva deram o ar da sua graça mas o coração ia quente porque foi um dia realmente feliz.

E agora Paulinha, como é que te sentes com 40 anos? Várias pessoas me fizeram esta pergunta e a resposta é esta: Sempre adorei fazer anos e tenho por hábito pedir sempre o dobro. Contudo, sempre disse que passaria a achar menos piada quando o dobro começasse a ser demasiado ambicioso. Os 40 até podem ser os novos 30 mas têm um sabor agridoce porque todos sabemos que ninguém fica cá para sempre (por muito bons genes que tenhamos e cuidados com a saúde e alimentação e blá blá). A verdade é que encaro os 40 como metade da vida e isso perturba-me porque sei que esta metade, por muito boa que seja, nunca será tão boa como a que passou (pelas razões óbvias). Tenho pavor à velhice, à doença e à morte. Tenho pavor a tudo aquilo que nos mergulha a alma na sombra. Tenho pavor de pensar que um dia aqueles que mais amo já cá não estarão. Tenho pavor de pensar que os 40 anos que possivelmente me restam não são o suficiente para realizar todos os meus sonhos. Sim, sou uma sonhadora nata, a minha cabeça é um turbilhão de ideias e ainda tenho tanto por concretizar. 

Por outro lado, os anos também nos trazem serenidade, sabedoria, maturidade. Hoje foco apenas o essencial e desfoco o supérfluo. Não perco tempo com futilidades nem gasto a minha energia com coisas e pessoas que não merecem o esforço. É o reverso da medalha. É o lado doce da estrada da vida. 

De qualquer forma tenho a certeza que uma mulher só envelhece quando substitui os sonhos pelos lamentos e nesse ponto aqui a mamã ainda é uma verdadeira teenager! Always alive and kicking :-)





Mochila às costas, ténis nos pés, máquina na mão e a melhor companhia! 

Rafaela: Casaco e mala Zippy
Saia: Pontinhos
Botas Ubik
Gorro: Comprado há precisamente um ano numa loja aqui

Eu: Casaco Mango
Camisola: C&A (estrelas para dar sorte!)
Jeans: Stradivarius
Tênis: Stam Smith Adidas


















Alentejo + família + saúde + fotografia + ar livre = Tudo o que me faz feliz

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5 comentários:

  1. Muitos parabéns Paula, bela local para festejar os anos, adoro Évora!
    Muitos bjs

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  2. Como professora não posso deixar de dizer que também não acho correto faltar porque alguém da família faz anos, independentemente de ser mãe, pai...
    Imagine que tem uma consulta marcada e quando chega à clínica, não tem consulta porque o médico faz anos!
    Esta geração é extremamente mimada e acha que pode tudo e depois somos nós, os professores que somos os maus da fita

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    Respostas
    1. Felizmente há professores que pensam totalmente o oposto e até me deram os parabéns por passar tão nobres valores à minha filha porque a família é a base de tudo e a Rafaela é uma aluna exemplar. A maior parte dos professores debate-se diariamente com crianças problemáticas e a origem desses problemas (má educação, irresponsabilidade, falta de valores) reside precisamente na falta de uma boa base familiar. Os professores não são os maus da fita, os pais e as mães é que são porque acham que podem delegar na escola o papel de educadores. A família educa e a escola ensina. A maior parte compensa os filhos com mimos (leia-se bens materiais) ao invés de lhes proporcionar tempo de qualidade e bases sólidas para a vida. Se a sociedade, o mundo empresarial e a classe política valorizassem a família (como antigamente se valorizava) garanto-lhe que metade dos problemas sociais/educacionais do nosso país estaria resolvida. Em dois anos de ensino básico esta foi a primeira vez que a Rafaela faltou (o ano passado o dia 17 de fevereiro coincidiu com a terça de Carnaval) e assim será sempre que a mamã fizer anos já que o pai tem a sorte de fazer nas férias do verão!

      Por sua vez, os médicos também têm o direito de marcar férias quando bem lhes aprouver. É um direito de quem trabalha. Não sei em que mundo é que a senhora vive mas a sua analogia é totalmente descabida pois nos dias que correm qualquer profissional de saúde tem o seu plano de férias marcado com imensa antecedência precisamente para evitar problemas. Enfim, de qualquer forma a senhora é livre de pensar o que quiser porque cada um sabe de si e dos seus.

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    2. Nem sei como é que a Paula se deu ao trabalho de responder ao comentário anterior. Há gente tão azeda e mal amada, credo! A resposta da Rafaela só demonstra que tem uma Mãe, uma Família e uma Educação com letra maiúscula.

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  3. Grande mulher, grande mãe, grande profissional! Quando chegar aos 40 também quero ter o seu ar de miúda (inveja boa!)

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