terça-feira, 18 de julho de 2017

Ser mãe é #36


Quem me segue já sabe que sou uma mãe galinha assumida. Nunca a impedi de explorar o mundo, aliás, cá em casa somos adeptos de uma vida ativa ao ar livre e ela tem tido uma infância repleta de parques, jardins, praia, piscina, mergulhos, ginásio, bicicleta, skate, patins MAS sempre comigo por perto (e mesmo assim já partiu um braço e o queixo!). Isto para vos dizer que ontem dei um passo de gigante na minha galinhice! Porquê? Porque a deixei ir à praia pela primeira vez no ATL. Todos os verões o frequenta (e adora!) mas nunca tive coragem de a deixar ir à praia. E se acontece alguma coisa na viagem de autocarro? E se o condutor do autocarro é um terrorista? E se apanha um escaldão? E se anda sem chapéu? E se fica perdida? E se apanha um agueiro? E se o mar a leva? E se... e se... e se....

E ela? Ela compreendia e aceitava lindamente porque nunca lhe faltou praia e brincadeira comigo e com o pai e, sendo filha única, também é muito cuidadosa connosco e compreende os nossos receios.

Enfim, neste momento a maior parte de vocês já deve estar a chamar-me TONTA com todas as letras porque os vossos filhos já vão à praia no ATL desde os 2 anos... mas não me censurem porque cada mãe tem o seu ritmo e eu, só este ano, é que me senti preparada para dar este passo de gigante (graças ao Prof Cláudio que é de um profissionalismo incrível e me transmitiu muita segurança na reunião que tivemos onde lhe coloquei as milhentas questões que me atormentavam o espírito). Para além disso, ela vai fazer 10 anos, é uma miúda super ajuizada, despachada e responsável (espero que se mantenha assim) e confio nela a 100%. Quando era pequenina, caso acontecesse alguma coisa, nem sabia dizer onde morava mas agora está uma crescida e até o meu NIF sabe de cor de tanto o ouvir dizer quando vamos às compras! Em suma, razões mais do que suficientes para guardar os meus macaquinhos no sótão e lhe soltar a rédea (mas mesmo assim lhe digo milhentas vezes que se alguma vez se perder o ideal é entrar logo num estabelecimento comercial e dirigir-se ao balcão para dar o meu contacto e pedir ajuda. Nunca mas nunca se dirija a alguém na rua isoladamente porque há muito doido por este mundo fora. Nestes casos é preferível entrar num local público - café, loja, restaurante - e pedir ajuda ao balcão).

A modos que até ao final do mês vamos madrugar porque ela tem que estar no ATL às 8 da manhã para seguir de autocarro para a praia. Ontem só descansei quando a fui buscar e assim que a vi senti-me absolutamente pa-té-ti-ca! Lá vinha ela radiante com o equipamento vestido, toda transpirada, salgada e esvoaçante! Não se partiu, não se perdeu, não se afogou e nem apanhou um escaldão (aliás, repõem o creme tantas vezes que até vinha branca!)

Enfim, ser mãe é isto... é fazer figura de tonta constantemente porque só quem é mãe compreende este amor que não cabe dentro de nós... 


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7 comentários:

  1. adorei o teu texto Paula, beijinho e muita calma nessa hora! Vai correr tudo bem.

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  2. Ser "tonta" é apelido. E na escola? E se o professor é terorista, ou as empregadas ou se põem uma bomba na escola.....

    please!

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  3. Completamente! Eu também faço "figuras" dessas e a dobrar porque sou mãe de duas! Isso só significa que nos preocupamos e que queremos o melhor para elas.

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  4. Como eu a compreendo! Os meus já são adolescentes, vão para a praia com os tempos livres desde os 5 anos e confesso que ainda hoje fico ansiosa cada vez que os vejo sair com os amigos. É perfeitamente normal, ainda para mais porque nos dias que correm nunca sabemos onde está o perigo. Mãe sofre sempre!

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  5. Não critico de modo algum os seus receios.
    Comecei a fazer colónias de férias, como "ajudante" de monitora aos 12 anos, só para ganhar uns trocos e, aos 16, tirei o curso para poder ser EU a monitora!!! Nunca tive problema algum. Mas, ouvia sempre histórias do arco da velha. Hoje, oiço outras histórias bem mais preocupantes e, como agora já sou mãe dou o devido valor.
    Sinceramente, fico receosa mas sei, o quanto se divertem em grupos destes e o quanto marcam para toda a vida. Tenho imensas saudades dessas vivências e inveja de quem continua a fazê-lo. Por isso, tento sempre que os meus filhotes aproveitem esses momentos. Não deixamos de ser boas mães ou mães tontas por isto... também faz parte do nosso crescimento como mães! bjinhoo

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  6. Não sei se gosto mais da foto ou do texto! Maravilhoso! Revejo-me em cada palavra que escreveu.

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  7. Adorei, ser mãe é isso tudo e nao tem que se sentir tonta nem patetica, era sim de estranhar se nao fosse assim. Um bem aja muito grande e continue assim.

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